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Filme traz retrato sensível sobre a mulher negra periférica

Curta-metragem “Cloza” marca a estreia da atriz e artista visual Sabrina Feu como cineasta e contribui para o debate sobre questões identitárias.



Sabrina é mulher negra residente na região periférica de Vila Velha e, com “Cloza” se une a nomes como Edileuza Penha, Natália Dornellas, Láisa Freitas e Dayana Rocha, para integrar uma geração de mulheres cineastas negras que tem aberto caminho no Audiovisual, celebrando, construindo e difundindo narrativas diferentes daquelas que a branquitude costuma construir.


Fundadora do coletivo “D’Pretos” e dedicada ao Teatro com trabalhos como “O oco compõe muito bem o Vazio” (2021), as questões identitárias, retratadas pela autora através das Artes Visuais com telas como “Mestiça”, “Florescer”, “Fala” e “Eu não consigo respirar”, se deslocam para o Cinema.


Atriz de forte presença, tendo atuado em filmes como “Ato Final”, “O Panda e o Barão” e “Nada Me Falta”, a autora cria em sua primeira direção um sensível retrato sobre a identidade negra, a solidão da mulher e a luta pela sobrevivência em comunidades periféricas. 


A ideia de produzir “Cloza” surgiu graças à investigação “Diáspora Preta, Uma Voz que Também é Minha”, realizada para a graduação em Artes Cênicas na Universidade Vila Velha, com a produção plástica e cênica da autora, e também vídeos sobre sua mãe Cloza Maria da Silva Santos.


Documentário Híbrido 


O gênero do documentário híbrido, com nomes referência como Eduardo Coutinho e Agnes Varda, e no Espírito Santo com o trabalho da Andaluz Filmes de Roberta Fernanda e Rodrigo Cerqueira entre outros, permite que a força do real deixe ainda o espaço para que um “jogo de cena” fale para além do que é dito.


A autora Sabrina Feu e sua mãe Cloza Maria da Silva Santos (sthil do filme “Cloza”).
A autora Sabrina Feu e sua mãe Cloza Maria da Silva Santos (sthil do filme “Cloza”).

Retratada no filme, misturando memórias, pensamentos, testemunhos e encenação “a la Agnes Varda”, Sabrina Feu traz a marca e o teor ensaístico autoral. Colocando em primeiro plano o seu amor e a admiração pela mãe e permitindo que a sua relação com ela se imponha como eixo principal, a autora investiga e interroga a própria identidade como mulher negra. 


Símbolo de Resistência


Cloza, mulher negra periférica por volta dos oitenta, cuja luta contra o racismo é narrada no filme, viveu na “topa do morro”, expressão usada por ela para o Morro do Jaburuna, onde levantou barraco e criou os filhos. Hoje a matriarca, residente em Vila Velha na Região 5, Terra Vermelha, é rodeada por filhos, genros, noras, netos e bisnetos que a admiram e a tomam como referência de resistência.


A quarta geração (sthil do filme “Cloza”)
A quarta geração (sthil do filme “Cloza”)

Realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo por meio do Edital de Produção de Curtas-metragem, por meio da Secretaria Municipal de Cultura de Vila Velha, “Cloza” teve pré-estreia na UMEF Paulo César Vinha para estudantes da EJA (Educação de Jovens e Adultos), Centro de Convivência do Idoso de Cocal e Cine SOCA, revelando a empatia com que chega a pessoas que, como a protagonista, vivem ou viveram um contexto social de luta contra as violências de gênero e cor.


O olhar da diretora é generoso ao compartilhar a história que conquista universalidade graças a identificação das pessoas com esta figura, materna e guerreira, visibilizando Cloza Maria da Silva Santos como um exemplo de resistência e superação em contexto atrelado às perspectivas e desafios das mulheres negras. 


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