RETRATOS DE UMA COMPANHIA DE VILA VELHA

Vila Velha (ES) - Brasil, 2021
ISBN ebook: 9786558900894

“Retratos de Uma Companhia de Vila Velha” é um dossiê da Cia Poéticas da Cena Contemporânea com o perfil dos seus atores. Editado pela SOCA, o e-book tem distribuição pela Simplíssimo nas principais livrarias online para o download gratuito. O evento contará com um vídeo de lançamento onde a diretora Rejane Arruda, entrevistada por Caio Pereira, falará dos procedimentos criativos. Um projeto de difusão e transmissão do trabalho da Cia Poéticas, sediada em Vila Velha, no Espírito Santo.

LANÇAMENTO: ENTREVISTA COM A AUTORA

Entrevista com Rejane Arruda

Entrevista e Roteiro: Caio Pereira

Câmera: Altemar Scorpions

Edição e Trilha Sonora: Rejane Arruda

E-BOOK

RETRATOS DE UMA COMPANHIA DE VILA VELHA

Redação, Fotografia e Diagramação do E-book: Rejane Arruda

Retratos: Fagner Soares, Alberto Contarato, Allan Maykson, Caio Pereira, Mariana Zanelatto, Rafael Teixeira, Breno Oliosi, Philippe Emmanuel, Letícia Dias, Renza Luiza, Gabriel Caetano, Ana Paula Castro, Yasmin Toretta, Daniel Monjardim. 

Editora: Associação Sociedade Cultura e Arte SOCA, Vila Velha.

Distribuição: Simplíssimo

A IDENTIDADE ARTISTICO-FORMATIVA DA CIA POÉTICAS

Trata-se de uma herança de procedimentos de pesquisa que resultaram em um repertório de trabalhos de variadas modalidades cênicas, desenvolvidos com apoios institucionais de órgãos federais e prêmios de editais. São espetáculos performativos e pós-dramáticos para o público infantil, jovem e adulto.

 

“Vestido de Noiva” (2018) recorre à duplicação de personagens, ao contraste acentuado da iluminação e a uma trilha sonora que vai da atmosfera do filme Noir ao Samba e canções “dor de cotovelo”. O hibridismo plástico e sonoro é atravessado pela complexa narrativa de Nelson Rodrigues, pondo o espectador em investigação. 

 

“Uma Quase Ópera Punk-rock Contemporânea” (2016) e “Terra-canção” (2017) estendem a abrangência para a criança, sem restringi-la ao adulto. Partindo de narrativas fabulares, as peças não se limitam à imitação da mise-en-scéne dos filmes homônimos da Disney; e nem mesmo ressonam qualquer estética do teatro tradicional para crianças. Ao contrário, primam pela criação de linguagem, oferecendo arranjos inusitados. 

 

“Peter” Pan é construído sem trilha mecânica, com uma paisagem sonora ao vivo realizada pelos atores distribuídos em sete microfones. Além de se valer das figuras insólitas e da plasticidade corporal, a peça une Beatles a canções populares como “Dona Aranha”. “Alice Uma Quase Ópera Contemporânea” é uma peça multimídia e se vale da projeção como elemento preponderante, além do jogo com a platéia e a música: a trilha sonora punk-rock, o samba, a quadrilha, a atmosfera da festa.

 

“Plastic Body” traz um improviso dos atores com o jogo cênico chamado “Campo de Visão”. Desenvolvido inicialmente na UNICAMP em pesquisa no Instituto de Artes orientadas por Marcio Aurélio, trata-se de um desdobramento do “Siga o Mestre” sistematizado por Viola Spolin. Enquanto alguns atores se mantêm estáticos aguardando alguém entrar no seu “campo de visão” para continuar o movimento, outros seguem com os experimentos de dilatação corporal, criando desenhos em coro, que se transformam pelo espaço. Os atores também se alternam no microfone, falando poemas e criando um imaginário sobre relações, que estimula a produção plástica dos corpos. A pele é coberta de elementos gráficos; frases escritas no corpo expressam suas vozes, definindo a cena como lugar de fala e imprimindo uma terceira camada na sua tessitura visual.

 

“Love Fair” conta com ações corporais de plasticidade abstrata, lembrando a dança. Folhas secas espalhadas pelo chão e as roupas sociais trazem uma citação dos bailarinos de Pina Bausch no filme de Wim Wenders sobre sua companhia. Deslocados do seu habitat-palco para o ambiente urbano, os movimentos se adaptam às esquinas, calçadas, faróis. Elementos heterogêneos concretizam, assim, o choque de visualidades tão grato à obra performativa, que se transforma em lugar de fala quando os atores, tal como em Plastic Body, trazem o lirismo de poemas.

 

Fundamentado na investigação sobre o hiper-realismo, “201” trabalha a borda entre a realidade e ficção. O espectador se vê em uma posição ambígua quando é recebido pelos habitantes de um apartamento, como se fosse um deles. Depois de decidir se vai ou não aceitar o café oferecido, observa os personagens dentro de casa, em sua rotina, tratando dos seus problemas a partir de uma célula de conflito que se revela durante a peça. 

 

Percebe-se que se trata de um repertório que utiliza a pesquisa de linguagem em direção ao encantamento e coaptação do público, para que participe mais da cena teatral capixaba. A descrição dos procedimentos na entrevista evidenciam o modo operatório das pesquisas, configurando-se como uma ação pedagógica. A união entre a abrangência do e-book, o vídeo com a entrevista, programa e a ação nas mídias sociais, consolida o objetivo de transmissão da identidade desta companhia de Vila Velha.