HÍBRIDOS

Residência artística com a Andaluz Filmes
Vila Velha/ES - Brasil, 2021

Subverter a lógica da pandemia e transformar isolamento em convergência e co-criação. Fazer uma produtora de documentários experimentar linguagens no trabalho com atores e uma companhia de teatro transformar a falta do palco em oportunidade de explorar dispositivos cênicos diante de uma câmera, mesmo que seja do celular.

 

Essa é a proposta de residência artística “Híbridos”, que une a Cia Poéticas da Cena Contemporânea e a Andaluz Filmes em exercícios e experimentação assistida que culminaram na publicação de vídeos em plataformas digitais e um artigo que debate e extrai conclusões do processo. 

 

A Poéticas inicia as proposições metodológicas para, então, a Andaluz propor situações de jogo com os atores. Os roteiros dos vídeos estão construídos em processo colaborativo, com base no material captado de encenações, exercícios e bastidores, pois o diálogo entre documentário e ficção também faz parte do jogo.

 

Encenar na pandemia pode ser tão rico quanto viver na pandemia, e os atores são estimulados a trazer esse repertório para a residência: a relação com o ato de criação solitário, o que puderam enxergar de novo em si mesmos, as perspectivas de reinvenção.

 

Ambos os coletivos partem do princípio do jogo – o que muda são as modalidades, que, em processo compartilhado, possibilitam desdobramentos e amadurecimentos.

 

A Poéticas com as investigações para uma “atuação realista estranhada” intercede na borda dos “registros” – naturalismo, imobilidade, “sujeira”, “excesso”.

 

A Andaluz, com os dispositivos de jogo para que o ator alcance um efeito de honestidade e organicidade que desfaça as certezas do espectador sobre o estatuto da ficção e da não-ficção.

 

Os vídeos resultantes – seis peças de cinco minutos – estão no Youtube.

 

O artigo está sendo publicado pela SOCA em seu próximo livro, integrando o acervo de suas publicações com distribuição gratuita.

O PORQUÊ DO HÍBRIDOS

O primeiro curta-metragem da Andaluz Filmes, “Se Você Contar”, venceu o Grande Prêmio Canal Brasil de Curtas 2018 apresentando um dispositivo híbrido para falar de abuso sexual infantil.

As entrevistadas, mulheres adultas, escolhiam contar suas memórias da agressão sofrida ou histórias de outras mulheres.

Seu mais recente projeto é o longa “E quem se importa?”, em pré-produção, no qual atrizes num palco se preparam para encenar a história devítimas de feminicídio.

São experiências nas quais a diretora Roberta Fernandes joga com dispositivos híbridos e, ao mesmo tempo, se aproxima do teatro para produzir documentários, tendências próprias do cinema brasileiro contemporâneo.

Foi esse retrospecto que motivou a Cia Poéticas da Cena Contemporânea a convidar a Andaluz para jogar em seu campo, o da experimentação com atores.

O dispositivo de partida é um conjunto de proposições que se tensionam, com as quais o ator precisa lidar. A tentativa de solução implica em uma crise, solo fértil para o advento do inesperado – este que a câmera captura.

A sua maneira, os dois coletivos buscam o “efeito do real”, razão pela qual essa residência permite o intercâmbio de dispositivos e procedimentos metodológico que possam capturar atores e não atores em seu envolvimento no jogo; em sua lida com a “estrutura de regras”, para que imprimam alguém vivo (e não alguém representando).

Por fim, justifica-se, também, a elaboração da vida em quarentena como um dos vetores temáticos do dispositivo em questão, ao mesmo tempo registro e criação.

Nas oficinas, ministradas por Rejane Arruda (Cia Poéticas da Cena Contemporânea) e Rodrigo Cerqueira e Roberta Fernandes (Andaluz), os atores falam sobre as contingências do isolamento como provocador de transformações, de novos olhares, de novos contextos de vida.

Interroga-se, portanto, o que existe de força na forma de se viver em isolamento e, paradoxalmente, no aprender a cuidar de si e do outro.

Além da produção de vídeos roteirizados a partir das vivências dos atores com os procedimentos, a residência propôe um artigo onde sistematizamos a experiência.

EXPERIMENTOS

Propositores: Rejane Arruda, Rodrigo Cerqueira e Roberta Fernandes
Atores: Ana Paula Castro, Daniel Monjardim, Mariana Alves, Philippe Emanuel

RASCUNHOS DE UMA PESQUISA ATORAL PARA DOCUMENTÁRIOS HÍBRIDOS


Autores: Rejane Arruda, Daniel Monjardim, Marcella Rocha, Erani Soares, Petruska Toniato Valladares, Maria Eduarda Ramos Gazel, Cleilson Teobaldo, Miguel Levi de Oliveira Luas, Maria Carolina de Andrade Freitas, Cleidimar Roberto da Silva Junca, Maria Riziane Costa Prates, Samantha Pereira Muniz de Almeida Silva, Maria Riziane Costa Prates, Tatiana dos Reis de Abreu Grampinha, Ana Paula Patrocínio Holzmeister.
 

Rejane Arruda (org.)