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Escola de Fotógrafos Cegos já começa a preparar a próxima exposição para este ano

Vila Velha receberá as instalações da exposição “Novos Olhares: Territórios”, que será inaugurada em setembro em cinco pontos da cidade

 


Manoel Peçanha na Escola de Fotógrafos Cegos. Créditos Ana Paula Castro & Cia Poéticas da Cena Contemporânea


A Escola de Fotógrafos Cegos começou as atividades em agosto de 2022 e o resultado dos oito meses de oficina, ensaios e saídas fotográficas com os 12 fotógrafos cegos foi uma grande produção de imagens artísticas dos participantes. Com essa rica produção, será organizada a exposição “Novos Olhares: Territórios”, com uma nova curadoria de imagens diferente da primeira mostra, a ser inaugurada em setembro de 2024 em cinco pontos da área urbana do município de Vila Velha.

 

O projeto é desenvolvido pela Associação Sociedade Cultura e Arte (SOCA Brasil) com a metodologia que foi trabalhada pela Cia Poéticas da Cena Contemporânea com os participantes. A mentoria do projeto, bem como o recorte curatorial das imagens, fica por conta da artista Rejane Arruda.

 

Serão selecionadas 72 imagens que não estiveram presentes na exposição “Quando Fecho Os Olhos Vejo Mais Perto”. Nesse segundo processo formativo, cada fotógrafo cego vai aprofundar a relação com sua própria obra e construir narrativas sobre sua própria produção, a partir de novos estudos, encontros e debates sobre fotografia, inclusão e arte contemporânea.

 

Este novo trabalho – “Novos Olhares: Territórios” – é viabilizado com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) e Lei de Incentivo a Cultura Capixaba (LICC), patrocínio da ES Gás e conta com o apoio da Prefeitura de Vila Velha.

 

“Neste ciclo formativo da Escola de Fotógrafos Cegos, os autores vão construir narrativas sobre a própria produção fotográfica, dialogando com a cena da fotografia contemporânea e outros autores. Teremos também um segundo recorte curatorial, tecendo novos olhares sobre as obras e recortando conjuntos para serem expostos nos territórios das cinco regiões de Vila Velha”, ressaltou Rejane Arruda, que também é a idealizadora do projeto.

 

Manoel Peçanha é um dos fotógrafos cegos que participou da exposição no Parque Moscoso no último mês de junho. Após passar pelo período de aprendizado e imersão na fotografia, durante o primeiro semestre de 2023, ele acredita que agora é o momento de consolidar aquilo que o coletivo vem defendendo e propondo.

 

“Tem sido uma experiência muito gratificante, até porque tivemos uma resposta bem expressiva do público que prestigiou nosso trabalho. E isso nos motivou e nos deu ainda mais inspiração para esta segunda etapa da Escola de Fotógrafos Cegos, com a qual esperamos ter um retorno ainda maior já que vamos estender nossas fronteiras para outras cidades e, quem sabe, para outros estados depois de algum tempo”, afirma Peçanha.

 

Outra participante da Escola é Geovana Santos, que descreve o momento atual do projeto como importante para entender ainda mais o potencial artístico da fotografia cega.

 

“Estamos aprendendo agora a brincar com as imagens na fotografia, a brincar com o olhar do vidente. Podemos produzir imagens como metade de um corpo, ou de um braço, e isso pode parecer banal para muitas pessoas, mas tem um significado para mim, enquanto fotógrafa cega, e um valor para a arte contemporânea”, considera Geovana.



O fotógrafo-cego Manoel Peçanha dedica-se ao registro fotográfico das filhas. Créditos Manoel Peçanha.

 


Escola de Fotógrafos Cegos

 

Trinta e duas fotografias fizeram parte da exposição “Quando Fecho os Olhos Vejo Mais Perto”, trabalho dos 12 fotógrafos cegos que ficou aberto à visitação pública no Parque Moscoso, em Vitória (ES), entre 27 de maio e 25 de junho.

 

As imagens ficaram dispostas em oito totens iluminados com quatro fotos em cada estrutura. Cada fotografia contou com um QR code em uma plaqueta que direcionava para as audiodescrições a partir da câmera de telefone celular, recurso de acessibilidade para pessoas cegas. Durante o período de funcionamento da exposição, também esteve disponível durante a manhã o atendimento em Libras, a Língua Brasileira de Sinais, feito por mediadores fluentes.

 

Essa mesma exposição agora percorre outros municípios do Espírito Santo, desta vez localizados fora da Região Metropolitana, e agora chegam a Colatina, Linhares, São Mateus e Cachoeiro de Itapemirim. A primeira cidade a receber a exposição é São Mateus, onde será inaugurada em 12 de abril, no Centro Cultural Amélia Boroto, e ficará aberta ao público durante um mês.

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